09 outubro, 2008

Pinceladas.

"..Como explicar aquilo que se deixa tão claro e se faz tão louco? Para Layla só sei que tudo é nada e nada é pouco."

A parte mais difícil de uma história, ao contrário do que se pensa é o começo. Ter que escolher as primeiras palavras entre as tantas que gostaria de colocar me causa uma dúvida irrefreável, e esta, me faz querer apagar e começar tudo de novo.
Meu nome é Layla de Montez, tenho 19 anos e moro sozinha na cidade de Curitiba, mas isso não é o interessante. Moro num apartamento pateticamente pequeno a três quadras de onde trabalho, o shopping Cristal, lá, sirvo de vendedora numa perfumaria chamada Liberthe das duas às seis, graças a esta loja conheci uma de minhas únicas amigas na cidade, Bianca Palardini. Ela tem 23 anos, passados com muito mais sorte do que juízo, mas fazer o quê, deu certo para ela. Criou uma banda de R&B a alguns meses, o nome é Divinyls e eles até que fazem umas músicas bem legais, sempre que possível, ao terminar nosso turno de trabalho, Bia me leva para assistir os ensaios, ela toca guitarra solo e é um dos vocais. Mas isso também não é o interessante.
Exatamente a frente da Liberthe existe uma lanchonete chamada Cafeteria, Fátima, 42 anos, é a dona do lugar e, tirando Bia, a única que consigo ter uma conversa sem censuras por aqui. Gosto de passar as horas sentada frente ao balcão, tomando meu custumeiro capuccino e ficar conversando com aquela mulher, ela sempre tem algo a dizer. E foi numa dessas que as coisas começaram a ficar interessantes.

17/02/2008 - Curitiba - 8:11

"Deveria ganhar um prêmio quem sai da cama a esse horário sem obrigação." Este era o único pensamento que ecoava em minha cabeça enquanto fazia lentamente meu caminho para a cozinha. Peguei meu roupão de micro-fibra, minhas pantufas de porco e fui arrastando os pés, cada vez mais querendo parar. "Porque eu sou tão incapacitada de acordar ao menos uma hora mais tarde? Eu devia fazer o turno da manhã naquela loja.."
Chegando a cozinha corto um pedaço de pão e passo uma quantidade generosa de geléia de morango. "Fico a manhã inteira me ocupando com manias completamente inúteis, conclusão, além de ficar acordada não consigo nem fazer algo produtivo! Da próxima vez levanto só para fazer um chá ou tomar um suco de maracujá pra ver se volto a dormir."
Pensando isso, caminho até a sala e me jogo no sofá, ainda comendo meu pão. Na janela, as ruas calmas iluminadas pelo sol nascente atraem minha atenção e, com um longo suspiro, digo para mim mesma:
- Confirmado, isto é apenas mais um dia que começou..

[não querendo sobrecarregar a leitura apenas na primeira postagem, me retiro aqui. obrigada se alguém chegou a ler, até amanhã.]

8 comentários:

Anônimo disse...

nossa gostei do modo que voce escreve!
profundo mas nao deprimente!
poste mais gostei da sua literatura!!!!

Unknown disse...

curitiba é um lugar lindo! E adoro textos que contam sobre o dia-a-dia de pessoas anônimas na cidade grande, espero ler mais suas histórias!

Layla de Montez. disse...

Obrigada aos dois, podem ter certeza que ainda vai ter muitas coisas para postar aqui, um beijo e voltem sempre!

Ly disse...

Vim retribuir a visita. Muito bom o jeito que vc escreve...Se gostar de fotografias entra no meu outro blog Best Shots.
Volte sempre!
Bjks

Francisco disse...

eu cheguei a ler! rsrs
gostei do que li.
narrativas bem escritas são raras.

temos uma nova escritora marginal na ativa!

meus cumprimentos.

Marianne disse...

uau você escreve muito bem e com uma delicadeza incrível. Sem contar que seu blog está lindo já de início, vou acompanhar sempre seus textos ^^

Bjs

Denise Medeiros disse...

Layla , vim retibuir seu comentário que você deixou no meu blog.Adorei receber um comentário seu.Adoreitambém o modo que você escreve.Quando tiver tempo vou ler tudo!Seu blog tá nos favoritos do meu pc :)

beijos :*

Denise Medeiros disse...

visita lá ?
http://demedeeiiros.blogspot.com/

posso colocar seu blog na minha lista lá no meu ?

beijos :*

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